Animar
o inanimado
“Enquanto
mesa-redonda sou objeto equilibrado”; a alusão a tal objeto reflete uma
ideologia que carrega consigo um forte aspecto de cunho social, no que se
refere à igualdade perante seres inseridos em uma sociedade/convívio quaisquer.
Embora vezes alcançada, a metáfora da mesa-redonda – a qual proporciona àqueles
nela presentes total igualdade – é também ignorada, dando espaço a uma “mesa
retangular”, a qual gera desigualdades e não equilíbrio. Através da lógica da
diferença de poder, o homem apoderou-se dos aspectos animados e inanimados que
o circunda, achando-se este detentor de livre arbítrio para gozar de quaisquer
itens/seres que o satisfaça. É perante tal autoconfiança, prepotência e
petulância que o ser humano afirma (e reafirma) sua capacidade repressora sobre
vertentes por ele desejadas, vertentes essas cuja capacidade de rebelar-se é,
por hora, inexistente ou inalcançável.
Sob um
divergente ponto de vista, a aluna Luísa Pádua defendeu a ideia de que os
objetos foram concebidos/projetados para o bel-prazer humano, sendo aqueles
sempre voltados para uma finalidade servil. A partir dessa opinião, não é uma
falácia dizer, no entanto, que os objetos sirvam como um item capaz de oferecer
conforto e/ou praticidade para a realização de alguma tarefa; não se pode,
contudo, achar-se no direito de se auto afirmar superior perante seres/objetos
(os quais não humanos), uma vez que os mesmos podem rebelar-se em um momento
oportuno. Em contrapartida, com uma abordagem ideológica semelhante à da minha
escrita, os textos dos alunos Raul Lemos e Verônica Horta abordaram temáticas
mais críticas em relação à interação “humano-objeto” vigente. É mister que o
ser humano entenda sua relação com o mundo ao seu redor, e faça com que essa se
dê de maneira fluida e respeitosa; não é apenas pelo fato de que, até então, ter
ficado estabelecido que o humano é o dotado de razão e sabedoria, pode ser
considerado como o ser superior. Assim como em um passado recente, o homem não
pôde prever que seus descendentes gozariam de tanta disponibilidade
materializada, não podemos inferir que, num futuro próximo, o que seja hoje considerado
inanimado, não tome "vida própria".


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