(Dis)semelhanças entre arquitetura e vestuário

Intrínseca arquitetura

Concebidos por finalidades muito semelhantes, quiçá a mesma, produtos da moda e arquitetura se correlacionam mais do que previsto pelo imaginário humano. Apesar de, à primeira noção, vestuário e arquitetura terem papéis dissociados no dia-a-dia do ser humano, ambos partem de um processo de criação rico em pesquisas, experimentações e criatividade. O intuito final, seja de uma roupa, ou um complexo arquitetônico, é, dentre várias outras vertentes, impressionar, acomodar e inserir o ser a que tal item foi projetado para. A vestimenta, através da disposição de materiais, sobreposição de peças e acoplamento de adereços torna-se uma obra arquitetônica, porém essa se difere de uma “arquitetura convencional” no quesito modificação do meio. A vestimenta pode afetar o meio em que ela está inserida (assim como uma arquitetura), caso não se padronize de acordo com o modelo visual vigente; caso usada como objeto decorativo do meio, a mesma passa a fazer parte da arquitetura; por fim, independentemente da dimensão, o efeito final de ora a vestimenta ora a arquitetura sob o espectador/usuário  pode ser tido de maneira semelhante: o impacto desta no ser humano.
Sátira entre arquitetura e vestimenta: obra de Winnie Bastian

Citar diferenças entre o vestuário e a arquitetura se dá de modo muito complicado, uma vez que a relação entre ambos os parâmetros possui uma similaridade considerável; “esse reconhecimento da complexidade nos faz não elucidar, mas elidir os problemas que ela coloca: dizer ‘é complexo’ é confessar a dificuldade de descrever, de explicar, é exprimir sua confusão diante de um objeto que comporta traços diversos, excesso de multiplicidade e de indistinção interna” (MORIN, 2000, p. 90). Desde a concepção do produto, cuja intenção é impactar quem entre em contato (físico ou não), sua produção e sua implementação (interação com o meio), vestimenta e arquitetura se assemelham, formando uma complexa relação repleta de similaridades entre os integrantes dessa, os quais possuem, intrinsecamente, arquitetura em suas composições. É possível que não haja, inclusive, diferenças entre as concepções de um produto de moda e um produto de arquitetura; em uma alusão a um ourives, que cria diferentes jóias, porém a partir das mesmas finalidades e anseios, aqueles que projetam roupas/arquiteturas diferem-se apenas dos seus produtos finais, cujas estéticas não se relacionam.

0 comentários:

Postar um comentário