Objeto do colega - crítica

O objeto do Henrique tinha o objetivo de promover uma diferente sensação ao usurário no que se referia à audição e percepções sonoras e visuais. À primeira vista, o objeto parece ser atraente, devido ao seu aspecto visual, aproximando-se de uma curiosa “engenhoca”. Ele, cuja criação se deu através de uma releitura da obra “Diálogo: óculos”, de Lygia Clark, é composto por dois óculos de nadar, acoplados à dois fones de ouvido, um MP3 e unidos por uma espécie de engrenagem rudimentar.
Com o primeiro uso do objeto, percebe-se que o mesmo não atinge o caráter programático, porém também não se aproxima – inteiramente – de características causalísticas e/ou finalísticas. O encaixe entre os dois óculos, por exemplo, delimita muito os tipos de movimentos que os usuários podem fazer, podendo esses serem somente para frente ou para trás; o fato dele estar acoplado à um potenciômetro faz com que haja um caráter finalístico na ação: “moverei para frente ou para trás para aumentar ou abaixar o volume do som”. Ainda sobre a questão do som, o fato da faixa ouvida ter que ser passada manualmente afeta o desenvolvimento da ação, encaixando-se em um caráter muito reativo.
O objeto, entretanto, causou-me grande curiosidade em relação ao que estava sendo reproduzido. Eu e a pessoa com quem tive que interagir ficamos intrigados e curiosos, sendo muito divertido descobrir o que estávamos escutando – o processo de descobrimento da reprodução conferiu um caráter dialógico ao objeto, e esse foi o aspecto que mais gostei dele, como um todo. Outro aspecto que confere certa programaticidade ao objeto é o fato de existirem diversas faixas disponíveis no MP3, o que faz com que seja muito difícil prever o que escutaremos ao decorrer da interação.
Analisando o projeto desenvolvido como um todo, nota-se certamente algumas falhas no desenvolvimento de quesitos estudados em sala, como uma interação não finalística e reativa, por exemplo. Contudo, ao fazer o uso do objeto, percebe-se que tais deslizes não impossibilitam a interação, já que o mesmo possui também aspectos de caráter programático e dialógico. A experiência foi, no final, muito divertida, não só no caráter visual (a engenhoca era chamativa e colorida) mas também na forma como interpretamos o objeto (eu a aluna Luiza Okubo, com quem interagi, demos boas risadas).               

Imagem: À esquerda, o objeto analisado e seu criador, à direita, o obra de Lygia Clark, a qual serviu de inspiração para Henrique.                                                                                                                                                                                             

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