Pesquisa - Estratégias de apropriação do espaço

I – Deriva
A deriva se apresenta como uma técnica da passagem ativa através dos variados ambientes. O conceito de deriva está indissoluvelmente ligado ao conhecimento dos efeitos de natureza psicogeográfica, e à afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que o opõe em todos os pontos às noções clássicas de viagem e de passeio. Ou seja, é caminhar pelo espaço urbano guiado pelas sensações que o ambiente lhe transmite, possibilitando uma nova interação entre a pessoa e o espaço. Na prática, consiste em construir ou reconstruir um espaço em que todos os habitantes são agentes construtores e em que a cidade é vista como um todo.
A deriva é um procedimento psicogeográfico: estudar os efeitos do ambiente urbano no estado psíquico e emocional das pessoas que a praticam. Partindo de um determinado lugar, a pessoa ou grupo que se lança à deriva seguirá uma rota indefinida, deixando que o próprio meio urbano 'os leve' ao acaso, pelo caminho que segue. Quem deriva terá no entanto todo o interesse em traçar um mapa do seu percurso. Esse mapa ilustrará anotações que servirão para compreender os motivos que o leva a seguir este ou aquele caminho: virando à direita ou à esquerda e não seguindo em frente, parar em certa praça e não em outra, perceber em suma por que razão a mente induz sensações agradáveis ou desagradáveis.




II – Flâneur
Um flâneur é alguém que perambula sem compromisso por uma cidade, alguém que percorre as ruas sem objetivo aparente, mas secretamente atento à história dos lugares por onde passa (observando as pessoas, a arquitectura e os espaços urbanos) e à possibilidade de aventuras estéticas ou eróticas. O termo vem do francês e tem o significado de "vagabundo", "vadio", "preguiçoso", que por sua vez vem do verbo francês flâner, que significa "para passear".
O flâneur é aquele que observa o mundo que o cerca de maneira real e descritiva, levando a vida para cada lugar que vê. Ele descreve (nem que seja mentalmente) as cidades, as ruas, os becos, o mundo exterior. A rua é o seu lar, o seu mundo; ali nada é estranho ou prejudicial - na rua ele sente-se confortável e protegido.

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11245

III – Flash Mob
Em inglês, Flash Mob é a abreviação de “flash mobilization”, ou seja, mobilização rápida. Falando claramente: são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar alguma ação inusitada previamente combinada, que termina e dispersa-se tão rapidamente quanto começou. Flash Mob é um evento que vem tomando formas bastante curiosas e incríveis nos tempos atuais, principalmente através da dança. Esse tipo de evento quando realizado de forma organizada é bastante impactante, podendo-se usar a dança, mas também muitas vezes se utiliza outros artifícios. Muitos são realizados em forma de protesto ou também para homenagear alguém ou alguma coisa.


IV – Parkour
Parkour é um treino de transposição de obstáculos do seu ambiente, como escalar muros, equilibrar em corrimãos, ou saltar sobre vãos. Porém, mais do que isso, é a incessante busca pelo desenvolvimento da autonomia do corpo e mente sobre os desafios do cotidiano. Busca-se isso através do trabalho de força, resistência, explosão muscular, equilíbrio, determinação, concentração, persistência, entre vários outros atributos físicos e mentais necessários para alcançar o potencial do praticante. É uma técnica que usa habilidades do ser humano para ir de um ponto a outro da forma mais eficiente. Ao ver um traceur - como são chamados os praticantes - fazendo movimentos atléticos e radicais, é fácil associar o parkour a competições esportivas. Porém, desde os primeiros saltos até hoje, competição e rivalidade não fazem parte do movimento. O Parkour não é um esporte, tampouco um esporte radical. Mais do que isso, busca-se lidar com o próprio corpo sem a dependência de acessórios e sair da zona de conforto. Não há regras ou um juiz dizendo o que é certo ou errado, não há competidores com visão de ganhar ou perder, é uma batalha interna entre o praticante o ambiente, ou dele contra ele mesmo.


V – Performance
A palavra performance vem do verbo em inglês "to perform" que significa realizar, completar, executar ou efetivar. Em muitas ocasiões é usada no contexto de exibições em público, ou quando alguém desempenha algum papel no âmbito artístico, como um ator, por exemplo. Performance também pode ser o conjunto dos resultados obtidos em um determinado teste por uma pessoa. Cada vez mais as obras articulam diferentes modalidades de arte - dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura etc. - desafiando as classificações habituais e colocando em questão a própria definição de arte. Tal forma de arte que combina elementos do teatro, das artes visuais e da música, de modo geral, não há participação do público – tal fato pode, entretanto, não ser verídico em todas as apresentações que se enquadram nesse estilo.

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3646/performance

VI – Rolezinhos
Rolezinho (diminutivo de rolê ou rolé, gíria brasileira, significa "fazer um pequeno passeio" ou "dar uma volta") é um  tipo de flash mob ou coordenação de encontros simultâneos de centenas de pessoas em locais como praças, parques públicos e shopping centers. Os encontros são marcados pela internet, quase sempre por meio de redes sociais, normalmente por jovens de baixa renda, a maioria negros, querendo se divertir.  O movimento não é politizado em seu sentido clássico, mas por outro lado é político porque os jovens buscam formas de realizar sua vontade, que é a promessa da sociedade em se tornar alguém por meio do consumo. Os eventos continuam a ser promovidos, mas agora por todo o país, como forma de protesto contra o preconceito e segregação social. 


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